História dos Balões: Balões de Ar Quente

Apesar de existirem registros históricos de balões há milhares de anos , a primeira demonstração de um objeto voador foi realizada apenas em 1709, pelo cientista e inventor luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão. Diante da corte portuguesa, Gusmão realizou experimentos com balões de pequenas dimensões de construção própria. O balão, movido pelo princípio do ar quente, foi capaz de subir até o teto do salão do Palácio Real, sendo imediatamente derrubado pelos subordinados do Rei, com receio de um incêndio.

Gusmão apresentando seu invento para o Rei D. João V.

Ali, pela primeira vez na história, havia sido apresentado um engenho mais leve do que o ar. A concepção do aerostáto marcou um passo gigantesco para o desenvolvimento dos primeiros veículos aéreos. Porém, aos olhos das personalidades da época, o invento foi considerado perigoso, pois voava sem controle (era levado pelo vento) e poderia provocar incêndios.

Em 1773, 64 anos depois da primeira demonstração realizada por Gusmão, os irmãos franceses Montgolfier, utilizando o mesmo princípio, construíram o primeiro balão tripulado. Esse possuía 32 metros de circunferência e elevou-se 300 metros, voando por 25 minutos com dois ocupantes e percorrendo 12 quilômetros. A partir de seus experimentos com balões, os irmãos Montgolfier descobriram princípios básicos da navegação aérea, fato que foi fundamental para posteriores avanços na exploração da atmosfera.

Os balões percorreram um longo caminho desde então. Apesar de se passarem quase 300 anos desde o primeiro voo tripulado, eles ainda são populares em todo o mundo. Em 1960, passou-se a utilizar queimadores de propano, que deu mais autonomia e segurança para os voos. O processo de fabricação do revestimento envolve, atualmente, silicones e poliuretanos, dando maior impermeabilidade para o envelope do aeróstato. Por conta disso, os balões de ar quente modernos são capazes de alcançar distâncias e altitudes inimagináveis nos primórdios da aeronavegação.

Em 1999, Bertrand Piccard, realizou a primeira volta ao mundo de balão sem escalas. Foi o voo mais longo de todos os tempos, em termos de distância e duração. Piccard percorreu 45755 km em 19 dias, 21 horas e 47 minutos. Em 2005, o empresário indiano e aviador Vijaypat Singhania, estabeleceu o recorde mundial de altitude ao voar até 21290 m em um balão com cabine pressurizada. Em 2016, o aventureiro russo Fyodor Konyukhov quebrou o recorde de voo solo mais rápido ao redor mundo, completando sua jornada de 33000 km em pouco menos de 11 dias.

Todos esses episódios mostram que, mesmo sendo os veículos aéreos mais velhos da história da humanidade, os balões ainda são uma indispensável ferramenta de exploração. Seja para o uso recreativo ou para fins científicos, com o auxílio deles somos capazes de cultivar o espírito desbravador da espécie humana. Nós, do grupo Zenith, acreditamos nesse potencial.

Grupo extra-curricular da EESC — USP voltado para o estudo e desenvolvimento de sistemas com aplicação na indústria aeroespacial

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